sábado, 22 de outubro de 2016

Não é à toa que se diz que um crime perfeito não existe

As impressões digitais revelam sua identidade e sua presença ao tocar o que talvez nem bem devesse. O padrão da íris dos seus olhos pode lhe abrir ou fechar portas quando necessário for. A cor pode ser a mesma, mas quem você é nem todo mundo sabe, mas isso estará lá num banco de dados com suas informações úteis para um mero reconhecimento biométrico.

O seu modo de andar pode acusar um passo dado em vão. As câmeras podem flagrá-lo e o sensor vai registrar que você esteve ali. Tudo bem, o caminhar é necessário e o percurso é rotina para determinada atividade. Mas, e se essa for um tanto quanto proibida?

Não, eu não vou falar de crime; pelo menos não do que as legislações vigentes caracterizam como tal. Vou falar justamente de algo muito praticado desde que o mundo é mundo e que, dependendo da etapa da vida em que você possa se encontrar, muitos irão julgá-lo como errado, ou ainda como certo, ou justo, ou conveniente, dependendo do ponto de vista de cada um dos observadores deste imenso tribunal de boas práticas ou de boa conduta humana. Eu vou falar de esportes: pulada de cerca, corrida com obstáculos, salto com vara... É, são tantas modalidades que deveria ter uma versão das olimpíadas destinada somente aos esportes do prazer lazer.

Será que, depois de toda essa historinha, você ainda vai continuar a ler? Pois bem, o último post neste blog tem quase 1 ano. De la para cá, meu lado reflexivo apareceu mais por outras redes sociais, baseadas em círculos de "amizade". Porém, acho válido ou ao menos interessante manter algum conteúdo semi-inútil por aqui, fácil de ser encontrado para ler quando você vier a procurar informações sobre minha pessoa sem precisar me adicionar em coisas tipo Facebook, LinkedIn ou WhatsApp para comunicação "instantânea" ou por mera curiosidade na vida alheia. Fique tranquilo, eu não registro evidências de que você leu até que linha ou quanto tempo você manteve esta página aberta. As estatísticas para sites e blogs são importantes para questões comerciais e conhecimento do público que os visita. Este é um blog meramente pessoal, um diarinho virtual a céu aberto de uma menininha mais crescidinha (opa! Já se vão 32 anos!) que ainda mantém o hábito de escrever mesmo tendo deixado o último diário de papel ser queimado por um namoradinho que alegou que tal feito seria para "deixar o passado para trás". Não que eu tenha feito estripulias quando menor de idade, mas sempre gostei de escrever, sejam relatos com um "q" depressivo ou de ocorridos que não são lá muito bons de se divulgar por aí.

Pois bem, o conteúdo do texto começa efetivamente aqui. Há uma "máxima" a la mineirês que diz que "quem come quieto come duas vezes". Como já enrolei demais dando uma introdução enfeitada à objetividade em si, bora ao ponto: já parou para pensar que sua atividade e registros virtuais nas redes sociais podem ajudar a produzir provas contra você dentro de um relacionamento?

Com certeza você conhece alguém, ou compartilha de tal prática, de apagar conversas de comunicadores instantâneos com pessoas com quem você tenha tido um caso extraconjugal ou que, embora nunca tenha encontado um dedo sequer na pessoa, sabe que podem lhe causar questionamentos desnecessários e dores de cabeça num momento de uma mancada. Como a insegurança e a falta de ética e respeito à privacidade é bastante comum nas pessoas, o ato de apagar "conversas-chave" pode se necessário para um bom andamento de um relacionamento onde umas das partes pode possuir histórico de filha-da-putagem ou a outra ser deveras insegura, a ponto de sair vasculhando as atividades virtuais do(a) parceiro(a) em busca de informações que comprovem suas hipóteses. Aí, nego precisa por senha, reconhecimento biométrico e palavras-mágicas em seus gadgets da vida moderna a fim de se dormir mais tranquilo, ao saber que suas informações estão mais "protegidas" e, seus "crimes", mais resguardados.

Permita-me contar uma história verídica. Nos idos de 2010, meu irmão se formou em Educação Física. Eu estava presente na solenidade da colação de grau no balcão superior do teatro da universidade, tirando fotinhos de alguns momentos, registros de uma data que fora importante a ele e aos colegas. Havia um cara ao meu lado que viu que eu estava tirando fotos e perguntou se eu podia lhe mandar algumas por email pois era amigo de um dos formandos da turma. E, na falta de papel e na pressa e euforia do momento, dei meu cartão de visitas no qual constava meu telefone e email e lhe falei "entra em contato comigo para que eu possa lhe mandar as fotos". Ok. Nem perguntei o nome do cidadão e mal vi seu rosto, afinal a solenidade acabou e eu fui encontrar meus familiares.

No dia seguinte, recebi um SMS de um número desconhecido em meu celular: "olá! sou o cara que lhe pediu as fotos; por favor mande para meu email x@qualquercoisa". Sim, não havia nenhuma identificação nominal da pessoa, era um email comercial de uma loja de suplementos qualquer. Ok. Escolhi as fotos mais legais e mandei para o email informado. Passaram-se alguns dias e vi que a tal "loja de suplementos" me adicionou no Facebook por pesquisar meu nome e sobrenome e tal. Aceitei o convite de amizade por não ver problemas e pensar "ah, o cara lá viu meu nome e resolveu me procurar na internet. Ok, normal e não me parece ser alguém que venha me perturbar". Até aí, procedimento normal e sem novidade.

Cerca de 1 mês depois dessa formatura, acordo num sábado de manhã com uma ligação em meu celular. Era um número desconhecido que acabei atendendo mesmo assim. Permita-me transcrever a essência da conversa:

- Alô. É a Tatiana?
- Sim, quem fala?
- Eu quero saber qual é a sua relação com meu marido!
- Oi? Quem é você? E quem é seu marido?
- Meu marido é o G*
- Não conheço ninguém com esse nome - minha resposta ao não reconhecer ninguém com o nome informado.
- Vocês trocaram emails, ele te adicionou no Facebook, eu estava no computador dele, eu vi suas fotos. Quero saber o que você quer com ele! - a mulher já perdendo a cabeça e chorando, enquanto eu pensava que aquilo só podia ser um puta engano ou alguma referência ao cara da formatura do meu irmão.e resolvi arriscar.
- Moça, me desculpe, não conheço seu marido (ao menos, não de nome) e talvez o que você esteja querendo dizer é de que ela tenha me pedido umas fotos que tirei de uma formatura de Educação Física, é isso?
- Eu vi suas fotos no histórico do computador dele, você dança (...) vocês têm um caso?
- Moça, se você for ler a singela troca de emails, verá que apenas enviei umas fotos da formatura que ele havia pedido. Se ele ficou vasculhando o conteúdo que mantenho em redes sociais, eu não tenho nada a ver com isso nem nada com seu marido, certo?

A moça continuava a chorar e eu explicava essa situação da formatura e das fotos e blablabla e bablabla e coisa e tal. Até que, ok, ela compreendeu e desligou. Levantei da cama e fui contar para meus pais e irmão o ocorrido:

- Mano ahuahuahauahua que poha é essa? Mina mó loka querendo dar a entender que eu dava uns cato no marido dela! huahauhaua que merda, mano! - e contei para eles que um cara havia me pedido para mandar fotos da festa e ok.

Todos riram  ok. Uns dias depois, meu irmão me contou que o tal cara que pediu as fotos é amigo de um dos colegas que se formou e que tem a loja de suplementos e ok ok. Fim dessa história.

Bem, a história é chatinha, mas acabou de forma ok, sem nenhum prejuízo a nenhuma das partes envolvidas (pelo menos, não me aconteceu nada; já para o casal lá nada posso afirmar hehehe). Porém, o que se extrai é a moral: se você sabe que tem uma mulher insegura ou problemática em casa, por que manter registro de supostos interesses em outras mulheres? Mano, a mina se deu ao trabalho de fuçar o histórico de acessos à internet do computador do cara... Siiiiim!! Se você não sabe, pode fazer isso acessando o histórico do navegador de internet ou fuçando na pasta que armazena os arquivos temporários do computador, o que inclui todos os endereços que você acessou dentro do período estipulado e todos os arquivos de imagem a que você teve acesso, desde elementos de composição de sites até imagens ampliadas das mulheres interessantes que você anda espionando por aí. Mas, graças aos desenvolvedores de softwares, agora você pode "stalkear" a vida alheia sem deixar esses rastros de "pré-chifragem" com o recurso da navegação anônima, onde esses registros temporários e históricos de navegação são apagados ao fim da sessão sem que você tenha que se preocupar em ter que correr atrás dessa "limpeza" depois de sair p*nhetando por aí. Claro, se precisar, limpe os rastros que, eventualmente, você deixou sobre o hardware.

Ok. Para olhar e admirar sem ninguém saber, é fácil. Agora, vamos para uma parte que eu juro que busco tentar entender por que raios alguém procurar manter a tal da prática do "feedback". Ok, eu explico: você teve um caso com uma determinada pessoa em alguma época (não importa a duração do caso ou se teve repetição) e você achou aquilo o máximo e que, não contente em apenas vivenciar a situação, faz questão de falar para a pessoa que aquele dia foi especial e coisa e tal. E, claro, para evidenciar o grau de cabacice, fala isso através de comunicadores instantâneos. "ai, como você é linda... aquilo que vivemos em 2001 foi tão especial... vai que um dia acontece de novo, né?". Ok. A gente entende que é importante manter acesa a chama do interesse e aumentar o leque de possibilidades caso um relacionamento presente venha a desandar; mas, por que deixar isso impresso por aí? Para que ter o trabalho de ter que ficar apagando conversa de "prospecção"/reativação de clientes? Sabe que, se você não for ligeiro em apagar esse tipo de coisa ou se confiar plenamente no respeito à privacidade, seu cônjuge doente vai descobrir essa merda e vai questioná-lo(a) sobre esse tipo de conversinha! Bem, vamos às situações do pior para o grau menos pior:

a) alguém comprometido lhe manda esse tipo de feedback e você está comprometido com outra pessoa no momento
Se a recíproca é verdadeira, ou seja se também foi bom pra você o que você viveu com tal pessoa na época, vai do seu interesse (ou caráter, como preferir) dar pano pra manga ou não. Pense que alguma das partes pode descobrir e que você terá que por tudo a perder ou contar uma bela da historinha até onde aguentar mentir para manter o que tem em casa e o que tem na rua e poder tirar o melhor proveito disso até onde e enquanto aguentar.

b) alguém comprometido lhe manda esse tipo de feedback e você está solteiro no momento
Bem, mais fácil que na situação anterior. Claro, também vai de ser interesse ou caráter ser a parte amante de um relacionamento extraconjugal.

c) alguém solteiro lhe manda esse tipo de feedback e você está comprometido com outra pessoa no momento
Como dizem, "tão querendo tacar pedra na pomba alheia". É, você que sabe.

d) alguém solteiro lhe manda esse tipo de feedback e você também está solteiro
Ambos estão disponíveis, o que não significa que ambos se desejem no momento. Afina, o que foi bom pode ter sido só para uma das partes, a outra quer mais que se foda e que talvez esteja mirando em outros alvos ou que não esteja com vontade de comida requentada.

É, são os dois lados da moeda: o de quem procura ou perturba, sabendo que pode arruinar a sua e a relação alheia, e a do que é procurado ou perturbado e que precisa saber lidar com as prospecções conforme lhe guiam seus interesses. Agora, se você é se enquadra como cônjuge de indivíduo que fica "ciscando em terreiro alheio", disponível ou não, não culpe a pomba em que ele "pretende" caçar numa oportunidade; afinal, não é por que você está num relacionamento com uma pessoa que as outras se tornam "automaticamente" desinteressantes e que seu cônjuge só terá olhos para você e você para ele. Em outras palavras, se seu marido olha para outras mulheres, estas mulheres não têm culpa nenhuma, já não posso dizer o mesmo dele, nem de você.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Aos que clamam por romatismo, apenas parem

Acabei lendo uma matéria da Men's Health sobre 5 "coisas legais" que homens fazem e que a mulhereda não tem gostado e, por isso, acabei me motivando a vir falar mal de homem escrever este texto. Em tradução livre, sua essência diz que o excesso de zelo torra o saco de qualquer mulher num relacionamento. Vamos aos pormenores conforme os tópicos que a revista apresentou.

1- Comprar joias para a mulher

Vou adaptar para quinquilharias, acessórios, perfumes e roupas num geral, uma vez que o fato de "comprar joias" pode induzir a um relacionamento estritamente interesseiro. O texto fala que, de certa forma, nem toda joia agrada ao estilo da mulher que está a seu lado; ou seja, pode ser que você não esteja reparando bem no seu estilo e acaba dando um presente caro que ela mal venha a utilizar (no máximo, vai utilizá-lo por pena do dinheiro que você gastou, seu trouxa).

Sim, já ganhei coisas de namoradinhos que não me representavam muito bem. Já teve homem pitaqueiro que  veio me dizer que tal blusinha ficaria super bem em mim ou que uma saia com melhor caimento seria mais adequada para certas situações. Por que será que faço questão de dispensar energúmenos assim, né? Uma coisa é você estar com alguém por que curte a pessoa, sente uma atração por ela ou algo assim; agora, se nego já quer vir dar uma de "personal stylist", não adianta ficar se pergutando por que "sumi". Acha que devo trocar de roupa, fazer uma maquiagem discreta quando quero sair ou tirar os penduricalhos que me fazem concorrer com árvores de Natal? Ah, meu filho, vai procurar sua turma e me erra!

2- Tentar buscar soluções para os problemas da mulher

Às vezes, você não teve um bom dia; às vezes, você pode ter tido algum desentendimento no trabalho ou ter que desembolsar um dinheiro para um custo não previsto para a época. Sim, isso chateia. E, às vezes, você mal quer falar a respeito, pois é um problema seu, que será resolvido quando for a hora. Mas, sempre tem um namoradinho ou ficante que acha que é gente e quer que você se sinta bem, bem do tipo "fazendo o certo, mas da maneira errada". O texto exemplifica que a mulher, quando algo ruim (e fora do relacionamento) lhe acontece, só quer ser ouvida, sem a necessidade de algum apontamento ou suposta solução. Não adianta vir com "no seu lugar, faria X, Y e Z", além dos muitos "não fica assim, vai passar".

Sempre procurei separar as partes da vida; ou seja, trabalho trato com quem é do trabalho; faculdade com os colegas; família com os parentes e assim por diante. Homem que acha que é mais que um "provedor de r*la" deveria aprender a se situar melhor e não opinar em situações das quais não faça parte. Agora, se quer opinar, beleza: não venha questionar por que é preferível ir "brisar" num lugar longe e sozinha em vez de ficar ao seu lado.

3- Dar muito presentinho para a mulher

Meu senhor, chegamos num ponto crucial do pé-no-saquismo-da-melosidade! Se você trabalha, você é remunerado por isso, independente do valor. E, seja qual for o seu montante, você poderá se presentear quando bem entender. O texto enfatiza que tem mulher que se sinta incomodada com tantos presentes, uma vez que gostar de mostrar que é capaz de comprar suas próprias coisas, que é independentona e aquela coisa toda. Eu tenho uma teoria uma pouco diferente. Para mim, homem que dá muito presentinho só demonstra que sua pessoa por si só não é suficientemente interessante e precisa suprir a falta com esses pequenos mimos. Claro, tem uma mulherada que é chegada, que prefere dar b*ceta em troca de coisas materiais.

A poha dos buques de rosas! Ah! Que mulher que nunca recebeu uma merda dessas? Sempre entregues em meio a multidões, entre colegas e amigos da mulher, sempre constrangedor, sempre gerando comentários e "ohhhhhhs" desnecessários dos que assistem a mais um episódio da vergonha. Homens, aprendam: ganhar flores é um saco, é constrangedor e dá um puta trabalho cuidar de um belíssimo buque que não dura mais do que uma ou duas semanas ;)

Ah, sim! A matéria também fala que a mulher pode se sentir incomodada com a necessidade de retribuir o companheiro em certas ocasiões. Sim, já passei por uma situação em que o cara, de certa forma, me cobrou um presente em troca num aniversário de um namoro qualquer. Minha pessoa não lhe é suficiente? Então, o que você quer comigo? ...

4- Entrar no banho sem ser convidado

Ah, as trepadas mirabolantes que só a pornografia traz para você! Acredite, saco de hormônios, tem hora que homem não é bem vindo. O texto cita exemplos de quando a mulher quer se depilar ou dar aquele trato no cabelo; não seja inconveniente de querer interromper o banho da moça só para esvaziar o saco. Muitas vezes, o básico bem feito é melhor que seu exibicionismo de amor e carne. Muitas vezes, o estepe anda melhor que o pneu novinho ou o reserva se sai melhor que o titular ;)

5- Policiamento

"Amor, já chegou?"; "chegou bem?"; "onde você está?"; entre muitas outras. Há coisas que só o pai e a mãe da gente têm o direito de fazer e até certa idade, até certo ponto. Você é só um namoradinho ou um parceirinho qualquer, não é dono e, no máximo, pode ajudar a somar bons momentos na vida de alguém. Muitas vezes, essas perguntas com viés de preocupação são só para se certificar de que o prato principal não está sendo degustado por outro. Sim, isso sufoca, enche o saco, não deixa livre; afinal, você quer um companheiro ou um segurança?

É, eu li a matéria e me identifiquei com esses pontos, relembrei algumas situações bem chateantes de cada um deles. É, por essas e outras razões, vou muito bem sem um estorvo a meu lado. Se não é para somar, se é só para chatear, tchau, eu sigo só.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Relato de vivência II - Uma escolha não é feita à toa

Conforme se vive - ou se morre -, a existência nos põe a pensar em dados momentos: como evoluí ao longo destes 30 anos, não? Pois é, já se foram 3 décadas, cada qual equivalente a uma fase diferente. O resultado desse "pensamento x reflexão" foi o seguinte:

0 - 10 anos: "Ah! A vida é uma festa!". Aquele "tempo bom que não volta nunca mais" típico da infância esteve presente da maneira mais tradicional possível: ser criança. Brincar, aprender, estudar, aquelas clássicas obrigações infantis e as grandes preocupações típicas: com qual lápis de cor devo pintar meu desenho? Ok. Independente das peculiaridades, das punições e dos presentes, etapa concluída com sucesso!

11 - 20 anos: Os hormônios refletem que as brincadeiras devem "cessar". Essa foi a fase durante a qual enxerguei como a "fase linear da vida". Explico: ainda que eu não tivesse obrigações de adulto até então, começava a perceber que eu deveria escolher algo para seguir na vida após o colégio, que eu iria casar e constituir uma nova família, depois dos 20 anos, é claro. A vaidade começou a se desenvolver e as descobertas da adolescência também trouxeram seus momentos de felicidades, sonhos e as primeiras decepções. As primeiras escolhas mais sérias se deram nessa fase, como a primeira graduação que decidi cursar (e não concluir) e um cara que resolvi namorar, pois pensava que isso chegaria mesmo algum dia "por obrigação", ainda que não fosse uma boa escolha. Ok. Próxima etapa.

21 - 30 anos: Esta fase prefiro chamar como a fase de "estou perdida, e agora?". Afinal, no quesito estudantil-profissional, resolvi abandonar o curso de Química Ambiental e partir para Artes Gráficas por perceber que eu gostava e me dava bem com a coisa. Assim, entrei para o tal do mercado de trabalho e dei sequência aos estudos e a focar no vil metal.

No quesito relacionamento, percebi que a carne é frágil - ou que o "caráter" é fraco, foda-se - e que há muitas oportunidades beeem interessantes que passam pela vida. Aí, por que não, né? Pois é, teve gostos, desgostos, outros 3 namorados sérios, incluindo 1 noivado, e muitos momentos a se pensar: será que é isso mesmo? Será que, depois que perde o encanto - independente do motivo -, adianta forçar a barra? Pois é, nesta fase, percebi que a linearidade que enxergava há 10 anos parecia não mais fazer sentido. Fui noiva, mas não me sentia "pronta para casar". Eu queria minhas coisas, estava feliz fazendo dança do ventre e tocando minha escolha profissional, não queria discussão, não queria ciuminho, não queria ter "obrigações" de dona de casa, nem rotina de casal. Eu queria sair de casa, sim, e acabei saindo da asa dos meus pais por conta própria. Não foi fácil, reconheço os prós e os contras, os novos valores e até alguns antigos que consegui resgatar.

Também foi nessa fase quando passei pela "prova da vida" ou a prova do fim dela. Confesso que foi mais fácil do que o que eu previa, o que me ajudou a abrir os olhos para a fragilidade da vida e de que a suposta dependência que temos uns dos outros uma hora precisa acabar. Ok. Etapa parcialmente concluída com sucesso, bora.

30 - 40 anos: Opa! Recém-chegada no início da 4ª década haha! Tudo bem que só se passaram 7 meses até agora, o suficiente para perceber que esta fase, ao contrário da anterior, é a fase do "encontrada". Se, antes, eu estava perdida, incerta e descrente da vida, hoje consigo perceber que, assim como as que deram certo, as más escolhas não foram à toa. Nestes poucos meses de meus 30 anos, consegui me libertar do encosto que é ter alguém ao seu lado que sempre, de certa forma, criticou ou se posicionou contra suas escolhas. Nestes poucos meses, explorei melhor a cidade onde escolhi morar há 3 anos, São Paulo, desbravando seus parques, seus museus, sua arte, seus locais especiais e o gostinho de quero mais. Esses poucos meses já conseguiram me despertar tantas novas vontades, como cozinhar, além de explorar o estilo vegetariano de alimentação, que tem feito tanto bem a minha pessoa. Esses poucos meses me fizeram perceber que todo o tempo que perdi com gente idiota serviu para ver que só quero me distanciar de pessoas assim, que quero expandir ainda mais meus horizontes profissionais e estar cada vez mais ligada às coisas de que gosto. Quanto às pessoas, prefiro gostar dos bons momentos com elas, do descompromisso, da ocasião. Como falei para algumas colegas: percebi que os breves romances, casos paralelos durante alguns namoros, ficantes e pessoas especiais conseguiram me propiciar mais momentos de felicidade do que as pessoas que acabei escolhendo "por mais tempo" para fazer parte de minha vida. Sim, foram escolhas que hoje julgo como erradas ao mesmo tempo que julgo como aprendizados.

E daqui pra frente? Que venha a fase do encantamento, da aceitação e, por fim - mas, só quando acabar mesmo -, a da realização. Morta, porém realizada, se o velho ditado me for aplicável: o seguro morre(u) de velho.

domingo, 28 de setembro de 2014

Relato de vivências

Nada como refazer o caminho de volta para tentar dar de cara com aquele momento marcante, com aquela poesia ou com aqueles risos debochados de uma piada velha contada por amigos de determinada época. Nada como dançar ao som de uma vivência mágica, única, envolvente e que deixou o clássico gostinho de quero mais. Nada como querer viver de novo o que foi bom, seja o passeio, o contato com uma presença ou admirar aquela árvore em meio ao nada. Nostalgia: mais que um presente, sempre presente.

Se recordar é viver, vamos beber mais uma dose de lembrança, vamos brindar às relíquias e lendas do passado. Vamos viver mais ainda enquanto novas memórias se constroem para ser festejadas mais tarde: novos momentos, novas piadas, novos amigos e novas vivências.

Vir para Curitiba - terra onde vivi durante meus primeiros 27 anos - em certas datas sempre me deixa assim. Fazer o delicioso trajeto de sua casa ao local de seu estágio por uma rua calma e bonita, de forma a trazer à tona muito do que se passou por aquela região há 8 anos termina perfeitamente quando se opta por fazer compras em um shopping próximo, que me abrigou por momentos alegres e também me acolheu em certas tristezas. Rever a última professora de dança, em um ambiente que também fora acolhedor e palco de muita felicidade, é uma maneira de ainda manter vivo um laço que me foi importante durante uns 5 anos desta que aqui relata. Prestigiar a vida nova que ganhou uma amiga em decorrência do nascimento de seu filho é uma maneira que se faz perceber que as antigas lembranças dificilmente serão vividas da mesma maneira, ainda que seja igual o ambiente, as pessoas e os assuntos: o contexto pode ser outro.

Havia vezes que eu, quando não trabalhava ainda, ia a pé até a faculdade - cerca de 1h de caminhada - e parava no mercado para comprar uma cerveja ou uma Ice para ir bebendo ao longo do caminho. Coisa de guriazinha tosca, jaguarice, escrotice - por que não? -, mas que, para aquele tempo, me propiciava uma tranquilidade chegar "amaciada" na aula. Hoje, eu me lembro disso e vejo que já não teria mais sentido tentar repetir o momento, pois o contexto mudou e, para certas coisas, minha pessoa também.

A lembrança, até dos maus bocados, é interessante, deixa pensativa, pois faz lembrar as consequências boas que trouxeram depois ou lembrar mais ainda que os maus bocados também estavam ligados a coisas boas. Porém, viver de passado não leva ninguém pra frente. Não só quem relata uma vivência muda - seja de cidade ou amadurecimento na sua forma de pensar -, os amigos e familiares também criam suas novas vidas, novos rumos, sem deixar esquecer aqueles que se vão - por opção ou por morte - de nossas vidas.

Se recordar é viver, a gente escreve para imortalizar uma parte. Não convém escrever tudo, há coisas que só quem estava presente tem o direito de saber. Só quem sabia pode lembrar e tirar suas próprias conclusões. Só quem viu, ouviu ou sentiu pode se dar ao luxo de relembrar algum momento marcante, feliz ou triste, proibido ou liberado, breve ou demorado. Há coisas na vida que as pessoas podem morrer sem saber; para todas as outras, só a memória refresca.

Se recordar é viver, construo atualmente em São Paulo uma nova vida. Ao longo desses quase 3 anos, já construí e destruí novos momentos, também bons e ruins. Conheci novas mentes, novos contatos e também optei por me distanciar de certos pensares. Minha alimentação na correria dessa metrópole não é apenas de memórias, é de novas vivências. É ocupar o tempo com a experiência, é ter pouco tempo para lembrar o que passou, para valorizá-lo quando permitido.

São Paulo já me deixa a recordação de vivências que procuro novamente ou daquelas que quero mais que uma lembrança. Não é perfeita, ainda traço paralelos entre ela e Curitiba, ainda me deixa dúvidas, até uma certa insegurança, ainda me deixa feliz. São Paulo já me traz a lembrança do parque, da arte, do café, do rítmo frenético, da estação do metrô, da consideração, da escolha e do verbo no presente: sou.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Da "fortaleza que se chama família"

Não respeitei o sacrifício
Que custa para construir
A fortaleza que se chama família
(Diamante de mendigo, Raú)

O clichê da época mais festiva do ano nos remete a questionamentos, ódios e prazeres dos enlaces que  culminaram em novos seres, que buscam ou não manter uma tradição, respaldada em princípios religiosos ou comerciais ou, ainda, sem princípio algum mesmo. Família é foda. Aliás, é apenas o resultado de uma ou mais relações carnais que geram outras substâncias coloides recobertas por uma casca peluda e sustentadas por uma estrutura porosa do tipo esqueleto, com uns ligamentos e tendões a mais para dar um reforço melhor.

Família é tipo Neston: existem 1001 maneiras de se fazer uma. Você pode encontrar um alguém qualquer, apaixonar-se - ou fingir, também serve - por ele e ver se ambos topam um casamento, uma nova família, uma desculpa qualquer para sair da casa da mãe. Se tiver filhos, o laço é ainda mais forte: rebentos são ótimos para chantagens, para segurar casamentos que já andam mal das pernas ou apenas um novo foco para direcionar suas atenções caso o cônjuge ande meio desfocado. Mas, você pode constituir uma nova família, também, sem casar e sem ter filhos: você pode se planejar com uns 6 meses de antecedência e deixar a sua "fortaleza" separada por 400km de distância, morando só, vivendo a vida. Claro, essa 2ª opção, em geral, é mais cara e mais difícil que a primeira, além de menos aceita pela foda que gerou o seu ser.

Mas, como família é "fortaleza", por que não tirar proveito dela também? Vai que dá uma puta merda no seu casamento ou você encontra sérias dificuldades em sua nova vida em outra cidade? A quem você vai recorrer: a amigos, às ruas ou vai dar o braço a torcer e retornar, ainda que por um período determinado, aos seus diletos familiares? Família é foda e, muitas vezes, não passa mesmo de resultado de fodas sucessivas entre seres. Entretanto, podem ser muito úteis para novos planos que você tiver em mente. O importante, seja por princípios de qualquer natureza ou por sem-vergonhice mesmo, é manter laços, aproveitar-se do afeto ou consideração que essas pessoas têm por você ou vice-versa e curtir, ainda que você seja "um diamante na mão de mendigos".

Ah, o Natal e sua vasta gama de significados! Tem quem o interprete à risca conforme sua religiosidade, tem quem o interprete de maneira distorcida, também por questões religiosas - benditos sejam os queridos Reis Magos! - e tem quem o considere apenas mais uma oportunidade para fortalecer, ainda que debaixo de um manto de falsidade, laços que podem trazer essa utilidade nos momentos que julgar adequados.

Pois é, na saúde ou na doença, temos que marcar presença, seja por verdadeira consideração ou só para não ficar chato e sair perdendo depois. Estou cumprindo com minha parte de extremo simbolismo hipócrita esta semana junto de minha "fortaleza". Ainda bem que Curitiba é uma cidade bonita, boa para passear, ver amigas ou ir aos parques mesmo. Ainda bem que meu cabelo é comprido e eu resolvo tratá-lo justo nessa época. Ainda bem que consigo encontrar 1001 motivos para sair de casa ao longo de uma semana.

domingo, 13 de outubro de 2013

Do mau gosto

De boa, já basta a vida. Ainda que fique disponível para ser mal aproveitada ou para ser preenchida por objetos que não lhe deveriam fazer parte. E, de onde parte essa arte de gostar do que não faz parte do bom gosto da maior parte?

Se bem fosse por piedade, não me faria parte de meu seleto acervo do mau gosto. É uma simpatia, de não fácil explicação, pelo ruim, pelo não agradável ao unânime, pelo feio que me parece belo. Entretanto, não os enxergo como assim, como ruins, como depreciados. São-me belos, são-me bons, são-me ideais. Aos olhos externos, não lhes são nada disso, são um gosto duvidoso.

Para que discutir? É tão mais fácil assumir: eu tenho mau gosto. Se dizem que o tal não se discute, por que querer me fazer gostar do que se considera bom? Deixa-me com o desgosto, com o ruim ou até com o mau cheiroso. Deles faço flores, dor e amor. Mas, dor? Ué, o rol de meu agrado pode lhe dar um significado.

Trabalhar com criação e assumir que se tem mau gosto pode ser antitético. Quem sabe, até antiético. E, se for esse o caminho mais próximo ao acerto, por que deveria me preocupar com o bem comum?

domingo, 2 de junho de 2013

Da forma à forma

Substâncias coloides recobertas por uma casca peluda e sustentadas por uma estrutura porosa do tipo esqueleto, com uns ligamentos e tendões a mais para dar um reforço melhor. Formou-se o indivíduo, esse amontoado de células que, se não alimentado, desintegra-se e vira alimento de vermes. Mas, o indivíduo não é só físico, ele "não quer só comida", quer também "bebida, diversão, balé". A forma, por si só, não basta, como se fosse defeito de fábrica, escolha uma forma que melhor se adeque e forme algo... diferente.

A forma nasce pura, com distúrbios pré-fabricados, para sofrer dadas modificações ao longo de sua existência como tal. Coloca a forma na escola cedo para interagir com outras formas similares e conhecer que nem toda forma é loira ou bonita ou ágil na brincadeira. Ainda na escola, uma forma maior apresenta formas geométricas, formas de pensar e formas de agir. Em casa, a forma mostra às formas genitoras as formas novas que aprendeu. As formas genitoras, já não tão mais maleáveis, também querem mostrar outras formas de se moldar: tem a mal explicada necessidade da forma religiosa, o dia-a-dia a que se submetem para dar um forma específica à forma então gerada, e até quem sabe apresentar a diversão e o balé, sugeridos na música do Titãs. Ah, claro, além de apresentar a que formas a nova forma não se deve sujeitar a conhecer, pois aquele que se forma na forma errada forma o caos social.

E o que seria esse caos social? Um monte de formas oriundas das mais diversas formas que nunca entram em consonância por serem tão distintas entre si? É, colocam uma forma grande e pesada acima de tudo, que norteia e abarca todas as formas menores, para que possam coexistir de uma forma menos denegridora para o todo. E assim se vive.

Mas, a forma, enquanto respira, ainda pode se sujeitar a novas formas com base em todas as formas que conheceu, julgando que um dia poderá vir a fazer parte de uma forma maior e melhor. Escolhe uma faculdade com o intuito de adquirir uma FORMAção mais específica. Conhece novas formas coloidais recobertas por pele similares e com ao menos um interesse em comum: sua área de conhecimento. Ah, a forma jovem e sua vontade de mudar o mundo! O que lhe é apresentado na forma universitária lhe parece tão sensato, de forma que, se todos aplicassem aquela forma de agir, todos teriam sucesso e a grande forma - pode chamá-la de mundo - seria melhor ou perfeita.

E lhe é chegado o grande dia: sua formatura. Claro, deve-se fazer um festa ao se adquirir uma nova forma, afinal tem gente que vai viver até os 30 tendo apenas conhecido uma ou duas. Formado, agora por uma instituição universitária - afinal, por mais difícil que seja, a teoria lhe confere o grau para atuar como chef de cozinha numa comunidade rural com pouco mais de 3 mil habitantes com mínimas condições de saneamento por exemplo -, aplique seu título para fazer prática toda essa nova teoria conquistada. Ah, a juventude e seus sonhos! Praticar sua nova teoria, a escolha certa, sua paixão, aquilo que sempre escolheu seguir.

Ah, o amor à profissão! Afinal, impossível amar jogar sacos de lixo num caminhão, né? Ainda bem que minha mãe me apresentou dadas formas, pois o importante é fazer o que se ama, sem sujar as mãos e ser reconhecido. A não ser que eu seja muito bem recompensado por atirar os sacos de lixo no caminhão.

Ah, o amor à recompensa! De que adianta se esforçar numa forma universitária e viver em condições similares àqueles que jamais chegarão a ela? Poxa, parece que aquele sonho de mundo melhor anda se perdendo. Ou seria uma forma acordando para a forma que a realidade forma?

Ah, a forma da realidade... Não parece mais trazer aquele sorriso jovial ao apresentar as formas críticas. As formas agora são questionadoras, ainda que com um viés de mutação. Tanto esforço leva a forma à forma da estabilidade ou da realização pessoal, independente de quais formas precise destruir ou a quais formas precise se submeter, de forma que seja bem recompensado e não se canse muito até conquistar sua última forma: um justo paletó de madeira.

É a forma da vida, beibe.